A geobiologia, apesar de não ser muito difundida na América do Sul, é reconhecida como uma ciência que emergiu na década de 40 e se consolidou no final da década de 70, em países da Europa, América do Norte e Oceania. De acordo com um dos primeiros livros sobre a ciência, o termo geobiologia foi cunhado pelo holandês Lourens Baas-Becking, em 1934. No Brasil, um dos principais percursores da geobiologia é Allan Lopes, formado na área e promovedor dos conceitos de habitação saudável.
O caráter holístico da geobiologia faz com que esta ciência englobe várias áreas do conhecimento. A geobiologia tem por objetivo estudar a influência dos processos complexos do planeta Terra, a presença e movimento das águas, do ar e dos processos atmosféricos, geológicos e biológicos na vida animal e vegetal. Resumindo, seria estudar a coevolução da Terra e da vida, e os processos que afetam o desenvolvimento de cada uma. Para isso, a ciência em questão faz uso de várias outras vertentes, como a geologia, biologia, química, geoquímica, paleontologia e genética molecular.
Existem vários focos da geobiologia, como a sua aplicação na microbiologia, que rendeu muitas descobertas e avanços científicos, porque foi possível desenvolver os processos de biorremediação com microrganismos.
Os seres humanos e a geobiologia
Outro foco é voltado para o ser humano. Nesse segmento, a geobiologia estuda os efeitos que as mudanças na estrutura e função do sistema natural terrestre possuem sobre o ser humano, e de que maneira que o próprio homem tem contribuído para essas mudanças. Os fatores mais comuns que afetam a saúde e o bem-estar humano considerados pela geobiologia são os campos eletromagnéticos, a presença de água subterrânea e de falhas tectônicas em regiões em que há construções utilizadas para moradia ou trabalho e a poluição do ar de ambientes internos.
Estudos apontam para a relação entre a presença de água subterrânea, falhas tectônicas e o surgimento de campos eletromagnéticos nos impactos negativos à saúde das pessoas que vivem acima do local onde ocorre esse conjunto de fenômenos. A presença de minerais na água produz campos eletromagnéticos, surgindo então as chamadas zonas de stress ou de perturbação. Os efeitos à saúde envolvem interferências no funcionamento cerebral e na produção de melatonina, um hormônio importante para o bom funcionamento do sistema imunológico e responsável por controlar o nosso ciclo circadiano, período de um dia (24 horas) no qual se completam as atividades do ciclo biológico dos seres vivos.
A radiação não ionizante, que possui uma frequência muito baixa, é emitida por celulares, radares, rádios, TV digital, e outros aparelhos eletroeletrônicos. A energia dessa radiação provoca efeitos negativos à saúde humana, sendo absorvida pelos tecidos e aumentando o risco de câncer e de catarata nos olhos, principalmente se a exposição for por muitos anos.
Geobiologia na prática
Nesse contexto, a geobiologia, utilizando-se das técnicas e princípios da radiestesia, atua por meio da utilização de equipamentos para identificação dessas zonas de stress e evita que casas ou locais de trabalho sejam construídos em áreas problemáticas. Procura também diminuir o excesso de equipamentos que emitem radiação eletromagnética nos locais de descanso, como os quartos. E nos outros cômodos da residência ou até mesmo de escritórios, a geobiologia tenta manter a radiação eletromagnética nos valores mínimos aceitáveis pela legislação de cada país - no caso do Brasil, eles são delimitados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em outras palavras, é possível dizer que ela tenta harmonizar os ambientes internos, de tal modo que a área é conhecida, informalmente, como a "medicina do habitat". Existem, inclusive, muitos consultores de geobiologia que também são conhecedores de práticas orientais, como o feng shui.
Sobre a poluição de ambientes internos, a geobiologia atua nos momentos anteriores e posteriores ao planejamento de arquitetura e construção de uma edificação. Ela procura utilizar iluminação e ventilação naturais, materiais de construção menos poluentes, tanto durante o processo produtivo como depois de instalados na construção; produtos de limpeza naturais sem tóxicos e materiais de acabamento sem produtos prejudiciais à saúde, como os anti-chamas. Essas aplicações da geobiologia envolvem os conceitos de construção sustentável, mas que vão além da preocupação com a própria construção e extrapolam os cuidados para o ser humano, prezando sempre pela saúde da espécie, qualidade de vida e saúde do ambiente ao entorno das pessoas, tratando assim das residências e locais de trabalho como parte de um sistema natural. Por isso é que se busca o mínimo de alterações ambientais e na saúde. O conceito de Building-Biology and Ecology traduz bem as aplicações da geobiologia no campo da habitação saudável.
Fonte: eCycle















