8 Tecidos estranhos do futuro


Em um esforço para enfrentar os desafios da sustentabilidade, a NASA, a NIKE, a Agência Internacional de Desenvolvimento dos Estados Unidos (USAID) e o Departamento de Estado Americano criaram a LAUNCH, uma iniciativa global que identifica e apoia projetos inovadores que acelerem soluções para a poluição, desperdício e as emissões de  carbono – três problemas para os quais a fabricação de tecidos contribui de forma significativa.


Segundo Alan Hurd, assessor de ciência e tecnologia da Secretaria de Estado dos EUA, a extração de matérias-primas, o processamento e a fabricação de tecidos são responsáveis por mais de um terço das emissões de carbono da humanidade. É por isso que a LAUNCH pretender concentrar esforços nos sistemas têxteis até 2020.

“LAUNCH reconhece a necessidade de inovações disruptivas e sistêmicas, e não de mudanças que visem o incremento da produção”, comentou Hurd ao Discovery.Para o System Challenge 2013, a LAUNCH selecionou 10 inovações com potencial de resolver os principais desafios na área de materiais e fabricação, com foco em tecidos sustentáveis.

Oito empresas criaram materiais totalmente inovadores, enquanto Marke Brown, da Benign by Design e Candice Reffe, da Blue Flower Initiative, tentaram aperfeiçoar os sistemas de produção.
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© BARKTEX
Tecido de madeira
A indústria têxtil tem a má reputação de ser irresponsável no consumo de água e energia, além da fama de abusar de mão de obra barata de países em desenvolvimento. A BARKTEX acredita ter encontrado uma solução com tecidos que crescem em árvores.

A empresa produz uma versão moderna de um dos tecidos mais antigos conhecidos pelo homem, feito de casca de árvore. Ele é a base para uma ampla gama de produtos têxteis que podem ser usados em roupas, móveis e no design de interiores.

O tecido é cultivado em fazendas certificadas de Uganda, a partir de uma espécie de figueira chamada mutuba. Depois de extraída, a casca da árvore cresce novamente. O tecido, 100% orgânico, pode ser processado e gerar uma grande variedade de texturas parecidas com lã, couro e madeira.

Com uma pegada de carbono inferior a zero, os produtos da BARTEK são fabricados com baixo consumo de água e energia, e em condições ecológicas e socioeconômicas apropriadas.
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© CRAILAR
Em vez de linho, algodão
O algodão pode ser a fibra natural mais utilizada no mundo, mas cultivá-lo acarreta alguns riscos ambientais. Agrotóxicos, irrigação constante, alto consumo de energia e emissão de gases-estufa estão associados à colheita e industrialização do algodão.

O linho, outra fibra natural, pode ser cultivado com muito menos pesticidas, água, emissões e terra que o algodão, mas nunca conseguiu igualar a produtividade e o custo/benefício desse cultivo.

Graças a avanços em química e manufatura, a CRAiLAR desenvolveu um método de fabricação de linho que compete com o algodão em termos de custo e produtividade. A empresa alega que produzir um quilo de linho consome 99% menos água que a necessária para a mesma quantidade de algodão.

Além de ampliar a produção de sua fábrica em Pamplico, a empresa pretende desenvolver políticas para aumentar a popularidade do linho e oferecer às comunidades rurais americanas cultivos rotativos de baixo impacto, capazes de proporcionar novas fontes de renda.

“Trabalhamos atualmente com fazendas convencionais na ampliação e colheita, principalmente nos meses de inverno, quando a terra normalmente repousa” disse Jay Nalbach, diretor de marketing da CRAiLAR. “O linho consome menos pesticidas e herbicidas, não requer irrigação e rende, em média, 2,5 vezes mais fibras por hectare que o algodão”.
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© QMILK
Fibras de proteína do leite
Um estudo recente da Universidade de Edimburgo mostrou que 360 mil toneladas de leite são desperdiçadas na Inglaterra por ano, produzindo gases do efeito estufa equivalentes à emissão de 20 mil carros. Considerando que a Alemanha desperdiça 1,9 toneladas, há motivos de sobra para os ingleses chorarem sobre o leite derramado.

A empresa alemã Qmilk pretende solucionar o problema fabricando uma fibra antimicrobiana, antialérgica e à prova de fogo feita a partir da caseína, uma proteína do leite. Produzida com recursos naturais renováveis, a fibra é totalmente biodegradável e pode ser usada em roupas e tecidos. Um quilo de fibra demora cinco minutos para ser produzido, consome apenas dois litros de água e é livre de resíduos.

A fundadora e presidente da empresa, Anke Domaske diz que “a abordagem da Qmilk é altamente inovadora no reaproveitamento do fluxo de resíduos que ocorre em todo o mundo”. Ela criou a empresa há dois anos com menos de 270 dólares, em uma cozinha, e agora se esforça para atender à demanda. Sua equipe está em busca de parceiros para diversificar as operações além dos tecidos. A Qmilk poderá se tornar padrão na indústria automotiva, de papel e médica.
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© CSIRO
Seda de abelhas artificial
A maioria das pessoas não sabe que as abelhas produzem seda. Diferentemente da estrutura molecular da seda produzida por traças, vermes e aranhas, a seda da abelha é constituída de espirais com múltiplos fios enrolados, que produzem uma seda forte, leve e altamente flexível.

Na Austrália, a Commomwealth Scientific and Industrial Research Organization (CSIRO) conduziu uma extensa pesquisa sobre materiais naturais inteligentes e descobriu que a estrutura singular da seda de abelhas melíferas é ideal para fabricar esponjas, filmes transparentes, fibras biomiméticas e nanofibras. Esses materiais são especialmente interessantes para a indústria médica e têxtil, representam um avanço em direção a uma nova geração de dispositivos biossensíveis, capazes de “pensar por conta própria”.

Em um comunicado à imprensa, Tara Sutherland, cientista da Divisão de Ciências do Ecosistema da CSIRO, disse que os genes da seda de abelha já foram identificados. “Agora estamos identificando e sequenciando os genes de outras abelhas, formigas-buldogue e formigas tecedeiras para compará-los com os genes das abelhas melíferas. Isso permitirá identificar os elementos essenciais da estrutura e funcionamento das espirais de seda”.

Segundo os pesquisadores, quando puderem gerar proteínas recombinantes da seda de alta qualidade e em quantidade, essas proteínas podem ser apropriadas para a medicina regenerativa e utilizadas no encapsulamento e estabilização de vacinas.
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©  CSIRO
Adesivo inspirado na lagartixa
O Geckskin é um tecido adesivo inspirado na pata da lagartixa, cuja pele confere ao animal a capacidade de aderir a qualquer superfície.

Como muitos adesivos, como o velcro, fita adesiva e cola, o Geckskin é composto de materiais comerciais, como o nylon e poliuretano, mas é reutilizável e não deixa resíduos pegajosos.

Desenvolvido pela Universidade de Massachusetts, o Geckskin baseia-se na teoria de “adesão drapeada”, que reproduz as propriedades adesivas da pata da lagartixa em larga escala e confere uma capacidade de carga impressionante ao dispositivo. Um pedaço quadrado de 10cm de tecido, colado a uma peça de vidro pendurada, é capaz de suportar 136 quilos de peso – e 317 quilos, se for grudado em uma parede.

O Geckskin consiste de quatro componentes que podem ser ajustados conforme a necessidade do cliente: uma almofada elástica adesiva, uma película de tecido drapeado, um feixe ntegrado e uma conexão distribuída em uma estrutura de suporte de carga.

“Somos capazes de criar formas 100% reutilizáveis com o Geckskin, e o material é projetado para ser reutilizado milhares de vezes” garante Rana Gupta, presidente da Felsuma, a empresa que o comercializa. “Por esse motivo, nossa inovação é um passo à frente para uma abordagem mais ecológica”.
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© SCIENCE MUSEUM LONDON
Tecidos biológicos
A BioCouture é uma consultoria de design que está desenvolvendo materiais com base biológica para coleções de moda, roupas esportivas e marcas de luxo. Com sede em Londres, a empresa pretende utilizar microrganismos, como bactérias, fungos, celulose de algas, quitina do exoesqueleto dos caranguejos e fibras de proteína, como a seda, para criar uma ampla variedade de utensílios e acessórios biodegradáveis. A empresa também pretende criar “receitas” públicas de seus produtos para desenvolver um movimento global de materiais “hacker”.

A celulose microbiana é o principal material da empresa. Com a introdução de bactérias e leveduras em uma solução de chá verde, a subsequente fermentação produz uma camada de celulose na superfície do líquido. Essa camada pode ser usada para confeccionar camisas, jaquetas e quimonos. Diferentemente do algodão, os tecidos da BioCouture podem ser cultivados em tanques livres de agrotóxicos. Tecidos, no entanto, são apenas parte dos planos da empresa.

“A celulose microbiana é um material fascinante. Com um método extremamente simples e eficiente de produção, podemos obter três produtos: uma bebida saudável, um alimento e um tecido vegetal”, explica Suzanne Lee, fundadora da BioCouture. “O processo leva cerca de 10 dias e basta recolher o material da superfície do líquido”.
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© ECOVATIVE
Embalagens de cogumelos
A Ecovative pretende substituir plásticos, espumas e outros materiais de embalagem prejudiciais ao meio ambiente por materiais ecológicos derivados de fungos. A empresa combina subprodutos agrícolas com micélio, a fase de crescimento vegetativo dos fungos, para criar embalagens isolantes personalizadas, sustentáveis e biodegradáveis a um custo competitivo.

Eben Bayer e Gavin McIntyre desenvolveram o material em 2007, quando estudavam no Instituto Politécnico de Rensselaer. O que começou como um projeto de engenharia mecânica rapidamente se tornou uma alternativa ao poliestireno e outras embalagens de espuma plástica. Hoje, a Ecovative vende o material à base de fungos para empresas citadas pela revista Fortune 500, como a Dell e a Crate and Barrel.

“Para a Ecovative, a reciclagem e a renovação de nutrientes é o padrão-ouro dos sistemas de materiais”, afirma Sam Harrington, representante da empresa. “O objetivo de longo prazo da Ecovative é ser a primeira empresa da era bioindustrial a ter um impacto positivo no ecossistema do planeta”.
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© ISTOCKPHOTO
Micróbios transformam plástico em poliéster
A maioria das pessoas ignora o fato de que as tecnologias de reciclagem são ineficientes, especialmente em relação ao plástico, pois nem todos podem ser reciclados.

A Ambercycle quer tornar a reciclagem do plástico rentável e sustentável por meio biologia sintética, projetando microrganismos sob medida, capazes de transformar o plástico em compostos químicos. Desenvolvendo-se em um biorreator, os microrganismos decompõe o tereftalato de polietileno (PET), o plástico usado em garrafas de refrigerantes, e o transformam em ácido tereftálico (PTA), que pode ser separado de outros subprodutos do processo. O PTA é um produto de alto valor que pode ser comercializado para a fabricação do poliéster.

O cofundador da Ambercycle, Akshay Sethi, diz que seu processo orgânico reduz o custo de reciclagem do PET, não emite carbono e pode ser instalado na infraestrutura existente. O processo visa dar novo destino aos resíduos de aterros sanitários, produzindo fibras de baixo custo e ecologicamente corretas para o mercado de poliéster, que está em rápida ascensão.

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